As férias de janeiro foram pro ralo junto com toda essa chuva de meu Deus! Rio de Janeiro quase submerso. O trânsito caótico estava de dar inveja ao trânsito da Índia na última quarta-feira. As 44 horas semanais de trabalho previstas na CLT, deveriam ter um adendo: " salvo alterações das condiçoes climáticas".
Isso mesmo. Só deveríamos trabalhar após as pevisões do tempo. Caso a informação fosse de chuvas fortes, as faltas deveriam ser abonadas imediatamente. Claro que só valeriam para o verão, né gente?
Bem, voltando às nossas histórias de aeroporto, partindo do ponto de vista da Relações Públicas, que somos nós, ontem me senti realizada em poder amenizar a angústia de uma senhora que veio ao balcão quase desmaiando. Ela havia perdido seu filho na multidão ao ir ao setor vermelho providenciar passaportes. Ele tem 26 anos de idade e é portador de Síndrome de Down. Segundo ela, o mesmo não saberia reponder à uma chamada no som.
Lembrei de quando perdi meu filho num calçadão hiper movimentado e ninguém pode me ajudar.
Prontamente, solicitei monitoramento pelas câmeras ao CEMES, por intermédio do Barros que, de pronto mobilizou toda a equipe de segurança, lideradas pelo Ronda Uno Rogério. Todos os canais de rádio avisados, iniciou-se a busca. E a senhora ali, impaciente, quase chorando. Pedi que ficasse ali comigo, pois todos os funcionários estavam voltados à missão de encontrar o rapaz. Ele usa óculos, é gordinho e estava com camiseta amarela e calças jeans.
Tentando animar a mãe aflita, ouvi da mesma que o menino tem uma boa memória e, logo ao chegarem no estacionamento ele havia chamado sua atenção para a placa ao lado de seu carro: "B6".
Com uma informação tão importante como essa, liguei par o estacionamento e pedi que fossem feitas buscas nas imediações da área B6 do estacionamento.
Cinco minutos depois, recebo a ligação da fiscal do estacionamento. Lá estava o rapaz, ao lado do carro e bem debaixo da placa B6. Ela o levara á cabine nº 1 e ele manteve-se sentado e calmo a espera de sua mãe.
Graças à Deus, mais uma vez pude sentir a consciência de meu dever cumprido. Fiz questão de agradecer pelo rádio a todos os colegas que se empenharam a nos ajudar; ao CEMES que ficou monitorando pelas Tv's e, principalmente à fiscal do estacionamento Central Park.
Foi um dia feliz!
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Aeroporto de vigaristas
Ah, vamos ser realistas, né meu povo? A nova localização do balcão no tps-1 é bem mais aconchegante, não é? Só há algum estresse na hora da quilométrica fila da AAL, mas no resto do plantão, tudo transcorre dentro da normalidade. O problema é que é provisório. Nele temos uma privacidade maior: a porta de entrada e saída fica na parte de trás do guichê, o que dificulta aqueles pax meio afoitos a nos ameaçarem; a bancada é mais espaçosa e mantém distância de mais que um braço daquele pax agressivo. Muito bom mesmo. Só nos falta agora, conseguirmos conquistar os nossos novos vizinhos: ONE, a DAL e AAL. Mas isso é questão de tempo, é claro.
Obras pra cá... polimento de piso prá lá....furadeira barulhenta ali...tapumes aqui...
chega um senhor exaltado. Ele queria de volta os dois reais que a máquina de refrigerante engolira e não havia enviado o tal refri.
Vixi Maria... o homem espumava pela boca. Ele queria de qualquer jeito os dois reais de volta. Mesmo assim ele ameaçava quebrar a máquina, porque, segundo ele, estava num "aeroporto de vigaristas".
Busquei o telefone do representante responsável pela tal máquina, mas ele nem quis saber: queria aqueles dois reais que a máquina o roubou.
Bem, felizmente chegou a hora do seu voo (agora é sem acento mesmo!) E ele se foi.
Ah, a máquina? continua íntegra a espera dos próximos dois reais.
E que venga el toro!!!!!
Obras pra cá... polimento de piso prá lá....furadeira barulhenta ali...tapumes aqui...
chega um senhor exaltado. Ele queria de volta os dois reais que a máquina de refrigerante engolira e não havia enviado o tal refri.
Vixi Maria... o homem espumava pela boca. Ele queria de qualquer jeito os dois reais de volta. Mesmo assim ele ameaçava quebrar a máquina, porque, segundo ele, estava num "aeroporto de vigaristas".
Busquei o telefone do representante responsável pela tal máquina, mas ele nem quis saber: queria aqueles dois reais que a máquina o roubou.
Bem, felizmente chegou a hora do seu voo (agora é sem acento mesmo!) E ele se foi.
Ah, a máquina? continua íntegra a espera dos próximos dois reais.
E que venga el toro!!!!!
sábado, 3 de janeiro de 2009
Balcão Social
Dezenove horas... aeroporto bombando...é o horário de pico.
- Onde fica o banheiro feminino?
- Quantos quilos pode ter a minha mala num vôo internacional?
- Onde se pode comer aqui?
- Change money?
- Onde faço o checkín da TAM?
- Quanto tempo de vôo de MIA a CDG (essa foi difícil)?
A mesma rotina: telefone, balcão, att... balcão, telefone att..., telefone, balcão, att...
Mas as histórias...
Bem, lá vem mais uma.
Quase 8 horas da noite um senhor chega ao balcão e pede pra falar com o Coordenador de Supervisão. Fiz a ligação para a sala do supervisor e os coloquei em contato.
Ele veio ao encontro do homem. Conversaram reservadamente , até que o supervisor se afastou.
o homem se aproxima do balcão e nos conta a sua história.
Sua filha de 7 anos de idade havia falecido em São Paulo e ele precisava fazer o traslado do corpo até as 10h da manhã.
Segundo ele, sua filha havia nascido com um tumor no coração e vivia com uma abertura no peito por onde funcionava uma engenhoca mecânica que substituía as funções do coração. Imagino ser algo do tipo máquina de hemodiálise que dá conta do serviço que deveria ser feito pelos rins.
Moradores de uma comunidade do bairro de Campo Grande, há mais ou menos 40Km do centro da cidade, surgiu a esperança na pequena família, composta por ele, sua esposa e a filha do casal; de um transplante de coração para a menina, em São Paulo. Muito humilde, o máximo que ele conseguiu recolher foi dinheiro para que as duas fossem, mãe e filha, para o Hospital das Clínicas, naquele Estado, enfrentando sete horas de viagem num ônibus interestadual.
Mas, devido a tanta fragilidade sua filha não resistira e morrera, ainda no ônibus, não conseguindo chegar a tempo no hospital.
A mãe da menina estava em estado de choque, e foi internada no mesmo hospital onde seria realizado o transplante.
Ele precisava estar em São Paulo até as 10 horas da manhã de amanhã, 04/jan, para liberar o corpo da menina, ou seria enterrada como indigente, uma vez que o óbito ocorreu em 26/12.
Ele afirma que veio caminhando de sua casa até o INCA, no centro. De lá, dirigiu-se ao aeroporto Santos Dumont, e dali ao nosso querido Galeão.
Os serviços de assistência social em SP, conseguiram o traslado em carro funerário sem custo para a família e, eles poderiam retornar ao Rio também no carro funerário.
Liguei para a Rodoviária Novo Rio e soube que havia um ônibus para SP às 23 horas com vinte lugares vagos ao preço de R$ 63,00.
Busquei preços em cias. aéreas, mas as tarifas estavam altíssimas. Algo em torno de R$ 500,00.
Nós, funcionários da INFRAERO resolvemos promover um rateio para arrecadar o valor necessário para sua ida à SP.
Não conseguimos mandá-lo a Sampa em vôo nenhum, mas conseguimos arrecadar dinheiro suficiente para a passagem de ônibus até a rodoviária, para o ônibus a SP e para sua refeição.
E lá se foi o homem, sem ter palavras para agradecer nosso gesto.
Fomos julgados por isso, claro.
Muitos achavam a história daquele homem fantasiosa demais.
Muitos diziam que o dinheiro serviria apenas para sustentar vícios.
Muitos diziam que era muito fácil ser-mos enganados.
Poucos contribuíram. Mas a contribuição dos poucos, foi suficiente para tentar amenizar a dor daquela família.
Não nos interessa saber em quê aquele dinheiro será utilizado. Só nos compete a intenção com que demos aquele dinheiro.
Tomara que, realmente tenhamos contribuído para o bem, mas fizemos o que o nosso coração nos disse que fizéssemos.
Essa é mais uma história de aeroporto, daquelas que nunca saberemos qual foi o seu fim, mas, sem dúvida nós já o escolhemos.
O cliente "deu branco"
Novidade: aeroporto lotado. Ufa!
Um senhor pergunta pelo hot-line: "- Qual é o vôo que chega de Salvador agora?" perguntei de pronto qual seria a cia.aérea, "-Você é quem deve saber, minha filha. Não és a funcionária do aeroporto?" Ok senhor, respondi. -" Faça melhor: veja em seu computador em que vôo meu filho está. Eu te dou o nome completo..." Ele não sabia qual era o vôo nem a cia. aérea. E arremata: "-Aproveita e vê também de onde ele está vindo. Eu só sei que é do Nordeste".
Gente... será que ele ao menos sabe quem ele é? Ao lhe dizer que nós não tínhamos lista de passageiros, o que nos impedia de verificar qualquer informação pelo nome... O homem grita a seguinte frase: "- Você é uma idiota! Por isso você não tem lista de passageiros!" e desliga o telefone.
"-Nossa.. como as pessoas andam mal-humoradas hoje em dia.", comentei com minha partner.
E, quando menos esperava, o homem veio ao nosso balcão: "- Filha, os empregados da Gol não sabem trabalhar direito. Vê pra mim de onde meu filho está vindo, em que vôo e que cia.aérea. Eu só sei que ele saiu de lá às 08:10min. O nome completo dele é..."
Puxa!!!... como se dá uma informação com essa pobreza de dados?
Mais uma vez, expliquei que não tínhamos lista de passageiros. O homem me chamou de idiota, incompetente, disse que eu preciso aprender a trabalhar porque eu sou 'muito bem paga para isso', blablablá..., blablablá..., blablablá...
Aeroporto lotado, efetivo reduzido, privatizações, terceirizações... e, para completar, o cliente "deu branco". Sim, porque ele veio buscar não sabe quem, que está vindo não sabe de onde, que chega não sabe quando, em uma cia. que ele não sabe qual.
Alguém quer fazer algum comentário?
Fiquem à vontade !
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