Parafraseando Milton Nascimento e Fernando Brant, "todos os dias é um vai e vem: a vida se repete no Aeroporto: tem gente que chega pra ficar, tem gente que vai pra nunca mais..."
Noite de segunda-feira, antevéspera de ano novo, movimento intenso. Nem tão desesperador quanto na antevéspera do Natal, nem tão desolador quanto na noite de Natal. As histórias se misturam e passam aos nossos olhos todos os dias. Muitas delas se repetem, mas os personagens são novos. E nós estamos lá, firmes, atolados em trabalho, mas firmes e muitas vezes nos pegamos como espectadores dessas histórias. Sim, criamos expectativas quanto ao final de cada uma delas. Um final qua quase sempre acontece longe, bem longe de nossos olhos, mas que nos deixa o poder de imaginar e criar um final feliz; de determinar o quanto gostaríamos que a história assim o tivesse. Se o final foi o que escolhemos? Jamais saberemos.
Nessa passagem, peciso citar o caso do senhor que insistia em encontrar o "TERMINAL DA URINAITEDI" Puxa... em quase seis anos essa foi a primeira vez que ouvi esse termo. Já tinha ouvido quase uma dezena, mas confesso que o mais comum é "UNITÉDI". Bem, prontamente indiquei o caminho da UNITED AIRLINES e, para minha surpresa, não era essa a cia.aérea. E agora? Tentar corrigí-lo? Jamais, afinal um senhor tão sério, voz grave, boa dicção não se sentiria bem se tentasse fazê-lo. E eu menos ainda, claro! Vivi um perfeito dilema: depois de mostrar-lhe o nome de todas as cias. aéreas que ali operavam, o homem não se decidiu por nenhuma e achava um absurdo eu não a conhecer. Só sei que o vôo ía pros Estados Unidos. Será que era uma pegadinha? Creio que jamais saberei.
Mas foi no final da noite, lá pelas 23 horas que me vi diante do desafio daquele plantão: ajudar um senhor que vinha de Vitória e perdera sua conexão para Porto Velho para o sepultamento de sua filha, que seria às oito da manhã, sem direito a velório. E agora? seu vôo atrasara na origem por problemas de falha mecânica na aeronave, segundo o próprio me relatou espontaneamente. Para ele serviria até mesmo um vôo para Ji-Paraná, mas... nada. Ficamos, eu e ele tentando encontrar uma conexão que o permitisse chegar lá a tempo do cortejo fúnebre... e nadinha. Nem po BSB, nem por GRU, nem por MAO... tudo estava perdido. Meia-noite e ainda estávamos lá, tentando um trecho, mesmo que em conexão, mas não encontrávamos. E assim foi a noite. Várias ligações de seu celular até que o homem desistiu. Resolveu aceitar o voucher da cia.aérea para o hotel e trocar sua passagem de volta à Vitória, pois não havia mais nenhuma possibilidade de despedir-se da filha. Encerrei as atividades do balcão TPS-2 e dirigi-me ao balcão TPS-1, como de costume.
Ás cinco horas da manhã, retorno ao TPS-2 para reativar as atividades do Balcão e, olhe quem vem lá: aquele mesmo homem, antes desesperançoso, agora com um humilde sorriso nos lábios. E fiquei muito feliz quando ele me disse que durante a madrugada seu problema havia sido resolvido: Condoído com a situação, o prefeito da cidadezinha, há 170Km de Porto Velho, onde sua filha falecera, enviara um jatinho para resgatá-lo aqui no Rio e levá-lo, diretamente a um pequeno aeroporto municipal, próximo ao local do sepultamento.
São enigmas como a URINAITEDI e histórias como a daquele homem que me levam direto a essa atividade que exerço e tanto me identifico.
Noite de segunda-feira, antevéspera de ano novo, movimento intenso. Nem tão desesperador quanto na antevéspera do Natal, nem tão desolador quanto na noite de Natal. As histórias se misturam e passam aos nossos olhos todos os dias. Muitas delas se repetem, mas os personagens são novos. E nós estamos lá, firmes, atolados em trabalho, mas firmes e muitas vezes nos pegamos como espectadores dessas histórias. Sim, criamos expectativas quanto ao final de cada uma delas. Um final qua quase sempre acontece longe, bem longe de nossos olhos, mas que nos deixa o poder de imaginar e criar um final feliz; de determinar o quanto gostaríamos que a história assim o tivesse. Se o final foi o que escolhemos? Jamais saberemos.
Nessa passagem, peciso citar o caso do senhor que insistia em encontrar o "TERMINAL DA URINAITEDI" Puxa... em quase seis anos essa foi a primeira vez que ouvi esse termo. Já tinha ouvido quase uma dezena, mas confesso que o mais comum é "UNITÉDI". Bem, prontamente indiquei o caminho da UNITED AIRLINES e, para minha surpresa, não era essa a cia.aérea. E agora? Tentar corrigí-lo? Jamais, afinal um senhor tão sério, voz grave, boa dicção não se sentiria bem se tentasse fazê-lo. E eu menos ainda, claro! Vivi um perfeito dilema: depois de mostrar-lhe o nome de todas as cias. aéreas que ali operavam, o homem não se decidiu por nenhuma e achava um absurdo eu não a conhecer. Só sei que o vôo ía pros Estados Unidos. Será que era uma pegadinha? Creio que jamais saberei.
Mas foi no final da noite, lá pelas 23 horas que me vi diante do desafio daquele plantão: ajudar um senhor que vinha de Vitória e perdera sua conexão para Porto Velho para o sepultamento de sua filha, que seria às oito da manhã, sem direito a velório. E agora? seu vôo atrasara na origem por problemas de falha mecânica na aeronave, segundo o próprio me relatou espontaneamente. Para ele serviria até mesmo um vôo para Ji-Paraná, mas... nada. Ficamos, eu e ele tentando encontrar uma conexão que o permitisse chegar lá a tempo do cortejo fúnebre... e nadinha. Nem po BSB, nem por GRU, nem por MAO... tudo estava perdido. Meia-noite e ainda estávamos lá, tentando um trecho, mesmo que em conexão, mas não encontrávamos. E assim foi a noite. Várias ligações de seu celular até que o homem desistiu. Resolveu aceitar o voucher da cia.aérea para o hotel e trocar sua passagem de volta à Vitória, pois não havia mais nenhuma possibilidade de despedir-se da filha. Encerrei as atividades do balcão TPS-2 e dirigi-me ao balcão TPS-1, como de costume.
Ás cinco horas da manhã, retorno ao TPS-2 para reativar as atividades do Balcão e, olhe quem vem lá: aquele mesmo homem, antes desesperançoso, agora com um humilde sorriso nos lábios. E fiquei muito feliz quando ele me disse que durante a madrugada seu problema havia sido resolvido: Condoído com a situação, o prefeito da cidadezinha, há 170Km de Porto Velho, onde sua filha falecera, enviara um jatinho para resgatá-lo aqui no Rio e levá-lo, diretamente a um pequeno aeroporto municipal, próximo ao local do sepultamento.
São enigmas como a URINAITEDI e histórias como a daquele homem que me levam direto a essa atividade que exerço e tanto me identifico.

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